Microbioma do solo: conhecer para decidir melhor
Recomendação Técnica para Março
Nuno Gonçalves, consultor técnico-comercial da Hubel Verde na região de Santarém, assina a Recomendação Hubel Verde de março, dedicada a um dos pilares da fertilidade moderna: o microbioma do solo.
Durante décadas, a gestão agrícola apoiou-se sobretudo em análises físicas e químicas. Hoje sabemos que essa leitura, por si só, é insuficiente. O solo é um sistema biologicamente ativo, e ignorar a sua dimensão microbiana pode comprometer a eficiência nutricional, aumentar a pressão de patogénios radiculares e limitar o potencial produtivo das culturas.
Informação biológica: um novo nível de diagnóstico
A evolução da agricultura trouxe ferramentas que permitem avaliar não apenas pH, fósforo ou matéria orgânica, mas também o estado funcional do microbioma do solo.
“Devemos iniciar a campanha agrícola com o máximo de informação possível — física, química e biológica”, sublinha Nuno Gonçalves.
A análise biológica do solo permite identificar desequilíbrios no microbioma e ajustar estratégias agronómicas com maior rigor técnico e eficiência económica.
Microbioma do solo: equilíbrio funcional e produtividade
O solo alberga comunidades microbianas altamente diversificadas — bactérias, fungos e outros microrganismos que interagem entre si e com as raízes das plantas.
Estas comunidades regulam processos fundamentais como:
- Reciclagem de nutrientes;
- Fixação biológica de azoto;
- Solubilização de fósforo;
- Melhoria da estrutura do solo;
- Proteção indireta do sistema radicular.
“Criar condições para que os microrganismos benéficos prevaleçam é hoje uma decisão agronómica estratégica”, explica o consultor.
Quando o sistema se encontra equilibrado, o solo funciona com maior eficiência. Quando essa funcionalidade é comprometida, aumenta a dependência de inputs externos e reduzem-se as margens de manobra técnica.
Análise biológica do solo: do diagnóstico à decisão
Na Hubel Verde, a gestão do microbioma começa pelo diagnóstico. A realização de análises biológicas permite avaliar o estado funcional da comunidade microbiana do solo e identificar desequilíbrios antes que estes se traduzam em perdas produtivas.
Nuno refere que “sem diagnóstico biológico, estamos a decidir apenas com parte da informação”.
A análise do microbioma do solo permite:
- avaliar a atividade microbiana global;
- identificar dominâncias ou carências funcionais;
- cruzar dados biológicos com parâmetros físico-químicos;
- ajustar estratégias de fertilização, biocontrolo e bioestimulação.
Esta abordagem permite passar de intervenções reativas para decisões técnicas mais fundamentadas e preventivas.
Intervenção técnica: microrganismos selecionados
A gestão do microbioma pode incluir a aplicação dirigida de microrganismos com funções específicas, integrada numa estratégia técnica ajustada à realidade de cada exploração.
Trichosym Bio: biocontrolo radicular
Formulado com Trichoderma harzianum (estirpe T78), o Trichosym Bio atua por competição por espaço e nutrientes, micoparasitismo e produção de compostos antifúngicos.
“Com o Trichosym Bio procuramos reduzir a pressão de fungos patogénicos no solo e proteger o sistema radicular nas fases iniciais da cultura.”
A sua aplicação contribui para diminuir a incidência de fungos do solo e favorecer o vigor radicular, sobretudo nos estádios iniciais de desenvolvimento.
MycoUp: ampliar a exploração radicular
O MycoUp, à base de Glomus iranicum var. tenuihypharum, promove a formação de micorrizas arbusculares.
“Quando promovemos a colonização micorrízica, aumentamos a área efetiva de exploração radicular.”
Esta simbiose melhora a absorção de fósforo, micronutrientes e água, aumenta a eficiência hídrica e contribui para uma maior tolerância das culturas a situações de stress.
VitaSoil: ativação biológica da rizosfera
O VitaSoil, composto por bactérias rizosféricas como Azotobacter spp. e Azospirillum spp., contribui para reforçar a fertilidade biológica do solo.
“Ativar biologicamente a rizosfera permite melhorar a eficiência na utilização dos nutrientes e promover um crescimento mais equilibrado.”
A sua ação inclui fixação biológica de azoto, solubilização de fósforo e estímulo da atividade microbiana do solo, favorecendo uma maior funcionalidade da rizosfera.
Microbioma do solo: decidir com base no conhecimento
Integrar a dimensão biológica no diagnóstico do solo é hoje uma evolução natural da agricultura moderna. Conhecer o microbioma permite interpretar melhor a fertilidade real do solo, ajustar intervenções técnicas e melhorar a eficiência dos sistemas produtivos.
Diagnosticar, interpretar e intervir com critério — é esta abordagem que sustenta solos mais funcionais e culturas mais resilientes.
Se pretende integrar a análise biológica do solo na sua estratégia agrícola, a equipa da Hubel Verde está disponível para acompanhar no campo e ajustar as soluções à realidade da sua exploração.



