Avaliação de carências nutricionais via imagem | Recomendação Hubel Verde

24 de Junho, 2026by Hubel

O que os drones e satélites realmente mostram sobre a sua cultura

Recomendação Técnica para Julho

 

 

Uma zona da parcela começa a apresentar menos vigor. A cultura desenvolve-se de forma desigual e surge a dúvida: será uma carência nutricional?

Hoje, através de drones e satélites, é possível detetar estas diferenças muito antes de serem visíveis a olho nu. No entanto, existe um equívoco frequente: os índices de vegetação não identificam diretamente carências nutricionais.

O que mostram é algo diferente, e muitas vezes mais útil. Revelam zonas da parcela onde a cultura está a responder de forma distinta e que merecem uma observação mais atenta.

Gonçalo Neves, Responsável de Drones da Hubel Verde, explica como os índices de vegetação podem apoiar a deteção precoce de problemas na cultura, quais os seus limites e porque continuam a exigir validação no campo.

 

O mapa mostra onde olhar; o campo explica porquê.

Os índices de vegetação assumem um papel cada vez mais importante no apoio à decisão agrícola. Permitem detetar variações dentro da mesma parcela, muitas vezes antes de existirem sintomas visíveis.

Mas é importante perceber o que estes índices realmente nos mostram.

Os mapas permitem identificar rapidamente zonas da parcela que merecem atenção. Mas não explicam, por si só, a causa do problema“, explica Gonçalo Neves.

Uma zona com valores mais baixos pode estar associada a uma carência nutricional, mas também pode resultar de stress hídrico, compactação do solo, problemas radiculares, pragas, doenças ou outras limitações agronómicas.

Por isso, os índices de vegetação devem ser encarados como uma ferramenta de deteção. A confirmação continua a depender da observação direta e, quando necessário, de análises complementares, como análises de solo, água ou seiva.

 

NDVI: o índice mais utilizado para avaliar o vigor da cultura

Entre os vários índices de vegetação disponíveis, o NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) é um dos mais utilizados.

Este índice está fortemente associado à atividade fotossintética da planta e é calculado através da combinação das bandas vermelho (RED) e infravermelho próximo (NIR).

Os valores obtidos variam entre -1 e 1:

  • Valores entre -1 e 0 indicam normalmente solo descoberto ou vegetação sem atividade;
  • Valores entre 0 e 1 refletem a presença de vegetação ativa;
  • Quanto mais próximo de 1, maior tende a ser o vigor vegetativo.

A interpretação destes valores permite evidenciar diferenças de desenvolvimento dentro da mesma parcela e orientar a avaliação agronómica.

 

Como são obtidos estes índices

Os índices de vegetação resultam da combinação de diferentes bandas multiespectrais captadas por sensores instalados em satélites ou drones.

Entre as bandas mais utilizadas encontram-se:

  • Vermelho (RED)
  • Vermelho limítrofe (RedEdge)
  • Verde (GREEN)
  • Azul (BLUE)
  • Infravermelho próximo (NIR)

    Comparação entre imagem NDVI – Sentinel 2 (esquerda) e Drone DJI Mavic 3M (direita)

Atualmente, o Sentinel-2 é uma das principais fontes de imagem satélite utilizadas em agricultura. Já os drones equipados com sensores multiespectrais, como o DJI Mavic 3M, permitem obter informação com um nível de detalhe muito superior.

A escolha entre drone e satélite depende sempre do objetivo da análise e do nível de detalhe necessário para a tomada de decisão“, refere Gonçalo Neves.

A principal diferença está na resolução e na flexibilidade de aquisição. Enquanto o Sentinel-2 trabalha com resoluções da ordem dos 10 metros por pixel, um drone como o DJI Mavic 3M pode atingir cerca de 0,5 cm por pixel a 10 metros de altura de voo, o que permite analisar com muito maior detalhe a variabilidade existente dentro da parcela.

A escolha entre drone e satélite deve, por isso, ser feita em função dos objetivos pretendidos e da informação necessária para apoiar a decisão.

 

Avaliação espacial e temporal: acompanhar a cultura ao longo do ciclo

O valor dos índices de vegetação não está apenas na observação de um momento isolado.

Avaliação espacial (Cultura – Milho)

A análise espacial permite visualizar diferenças de vigor dentro da mesma parcela e localizar zonas com comportamentos distintos.

Já a análise temporal possibilita acompanhar a evolução da cultura ao longo do ciclo e perceber como esta responde às condições de produção, às práticas agronómicas ou a situações de stress.

 

Avaliação temporal (Cultura – Milho)

 

 

 

 

 

 

Esta monitorização contínua permite detetar tendências mais cedo e agir antes que determinados problemas tenham impacto significativo na produtividade.

Da deteção à ação: mapas de prescrição

Depois de identificadas as diferenças existentes na parcela e confirmadas as suas causas, a informação pode ser utilizada para criar mapas de prescrição.

Estes mapas constituem planos de aplicação georreferenciados que permitem ajustar doses e intervenções às necessidades específicas de cada zona da parcela.

Na prática, isto traduz-se numa utilização mais eficiente de fertilizantes, produtos fitofarmacêuticos e outros fatores de produção, e numa gestão mais racional dos recursos disponíveis.

Comparação entre o Mapa NDVI (esquerda) e o Mapa de Prescrição (direita)
Tabela de Prescrição

O papel crescente da inteligência artificial

A evolução da inteligência artificial está a criar novas possibilidades na interpretação da informação recolhida por drones e satélites.

Atualmente já existem soluções capazes de apoiar tarefas como:

  • Identificação automática de plantas;
  • Contagem de plantas;
  • Avaliação de falhas de instalação;
  • Deteção precoce de doenças;
  • Monitorização do desenvolvimento das culturas.

Estas ferramentas permitem automatizar tarefas que anteriormente dependiam de observação manual, com mais rapidez de análise e mais informação para apoio à decisão.

Identificação de plantas pelas IA

 

Tecnologia que aponta. Agronomia que confirma.

Os drones e os índices de vegetação não substituem o conhecimento agronómico.

Permitem observar mais área, detetar variações mais cedo e direcionar melhor a avaliação da cultura. Mas o verdadeiro valor surge quando a informação recolhida é interpretada e validada por quem conhece a exploração e a realidade do campo.

Os índices de vegetação permitem direcionar a observação para as zonas que merecem atenção. A interpretação dos resultados e a identificação das causas continuam a depender da avaliação agronómica no terreno“, conclui Gonçalo Neves.

A tecnologia ajuda a perceber onde olhar, mas a confirmação continua a acontecer no campo.

 

Se quiser perceber como integrar drones, satélites e mapas de prescrição na sua exploração, a equipa da Hubel Verde está disponível para o acompanhar no terreno.

 

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